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Sobre raiva e crises existenciais

Primeiramente devo dizer que o post anterior é do mês de março (sim, fico muito tempo sem escrever).
Segundamente (não quero saber se "segundamente" está errado), isso aqui não é um livro de autoajuda, eu não quero conselho, não quero ver "ai, poxa, fica assim não, tudo vai melhorar", não quero otimismo, e só aceito opiniões positivas se forem "ri muito com teu texto", "gostei do texto/layout da página/do dia de hoje/da nova música da Calypso".
Terceiramente, tudo o que eu escrevo vem da minha cabeça, então, se você não concorda, o problema é seu. 
Atenciosamente,
Eu.

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O quão raivosa é sua raiva?

Faz algum tempo que andei percebendo que o tanto de raiva que eu sinto não é muito comum, não que isso me faça sentir especial, isso me deixa cansada de mais. As vezes eu me sinto como um cão com raiva (a doença, claro), e que vou atacar a primeira pessoa que aparecer na minha frente enquanto minha boca borbulha e deixa todo mundo com mais nojo do que medo. É aquele tipo de coisa dramaticamente conhecida como "incontrolável" e acompanha a frase "você precisa de ajuda".

1. O que te deixa com raiva?
a) Perder o ônibus, perder dinheiro, perder o horário.
b) Ser enganado, traído, humilhado, e outras coisas que poderiam fazer contra você.
c) O corretor ortográfico do celular, deixar o último sushi de camarão cair no chão, pisar em caquinha de cachorro no meio da rua.
d) Qualquer coisa.

2. Qual seu tipo de raiva?
a) É aquela que te deixa chateado por um tempo, mas você esquece logo.
b) É aquela que te deixa emburrado o resto do dia e te faz chamar alguns palavrões esporadicamente.
c) É aquela que te faz querer ou, de fato, quebrar alguns móveis da sua casa, gritar e descontar em alguém (de propósito, ou não).
d) É aquela que te faria socar alguém até não conseguir mais, e depois quebrar tudo, e descontar em outro alguém, e chamar palavrões, e ficar emburrado e não esquecer tão cedo.

3. Última pergunta: qual sua relação com a raiva?
a) Eu apenas sinto quando acontecem coisas sérias, e detesto me sentir assim.
b) Sinto raiva por besteira, não queria que isso acontecesse, mas, as vezes, é inevitável.
c) Sinto raiva muito facilmente, fazer o quê?
d) Eu sou a raiva.

Resultado:
Se você respondeu algum A, B ou C, não sei. Mas se você respondeu D para todas as perguntas, bom, sinta-se em casa.

O que a maioria das pessoas não entende é que eu não sei como ou o motivo de eu me irritar tanto. Tá, tá certo que nesses últimos meses eu devo ter melhorado (ao menos um pouco), devo ter engolido algumas irritações, mas o que ninguém leva em consideração é que, mesmo que eu deixe essa raivinha pra lá, eu não vou esquecer, e da próxima vez que eu me irritar, uma raiva vai se juntar com a outra e eu vou virar o monstro do ódio no coração ò.ó
É dificil... Difícil quando nem você entende de onde veio toda essa energia maligna do mal (AUEHAUEHAUE) que a raiva te proporciona, que é capaz de te deixar com vontade de demolir um prédio com as próprias mãos, ou demolir uma pessoa mesmo. Ela parece ser tanta, parece que esteve sempre aqui, mas agora ela quer sair desesperadamente, e não vai deixar passar nenhuma oportunidade de se libertar (peço desculpas pela última frase, soou poética de mais e não era a minha intenção, porém estou com preguiça de reescrever). Eu não sei lidar, e, confesso que, por mais que eu diga que não quero aprender (afinal, quem sou eu sem minha raiva? Quem é Érica Camila Campelo Chistama sem dar uns ataques de ódio de vez em quando?), eu bem que queria saber como é ser bobona, otimista e essas coisas de comédia romântica.... 
Que droga, já quero socar alguém. De novo. 


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Não quero saber desses tal 20 e poucos anos


Em algum momento da vida, achei que essa tal de "crise dos 20" era besteira, exagero, mas olha quem estava errada, assim só pra variar...  
Quer dizer, "meu Deus, você só vai sair dos 19 sem chegar aos 21 ainda, que mal há nisso?" eu pensava. Coitada. Iludida. Mas a vida ensina, né? 
Fazer 20 anos não é como fazer qualquer outro aniversário, não, cara, você tem 20 anos. 2 décadas. Você não é mais criança. Seus pais, avós, tataravós estavam trabalhando hard nessa idade. Tinham coisas, sabe, COISAS DE ADULTO, emprego, talvez filhos, casa e etc., enquanto você tem um video game, umas roupas de marca, umas saídas fúteis, amigos fúteis, emprego fútil. Você faz uma faculdade pública porque, em vez de trabalhar quando adolescente, você estava estudando. Você faz uma faculdade particular porque, bom, você tinha que fazê-la.
Você está um passo mais próximo de morrer. 
Você está um passo mais próximo de ter sucesso, ou de fracassar. 
Daqui 10 anos você já terá 30 e, ai meu Deus, com 30 você tem que ter casa, comida, lavadora de roupas e família. 
Ou pelo menos um kitnet (é assim que escreve?), um filho com alguém que não é seu marido/esposa, um trabalho que te sustente. 
Ou só um trabalho. 
Ou nada disso. 
E aí, você fracassou? 
Como lidar com isso quando se faz 20 anos, sem emprego, sem faculdade, sem filhos, sem casa própria, sem carro, sem, principalmente, vontade de viver, mas com muita, mas muita vontade de não morrer? 
Me sinto uma música do Nickelback, sabe? So far away dessas coisas. 
Eu estou completando 20 anos, com um cérebro que mais parece um carnaval de tão desorganizado, uma carinha de 15 e umas chatices de velhinha rabugenta. Acho que vou fracassar, mas só pelo pessimismo que me toma conta. Ou vou ter sucesso, mas só pela esperança burra que não me larga nunca. 

No fim, sou eu que não sei lidar com o tempo. 

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Não lembro como finalizei o último texto, mas queria repetir que: sem otimismo aqui, tá?
E se você é uma pessoa de 20 anos, com tudo o que tem direito (casa, comida, e bla bla bla), queria dizer que: zzzzz ninguém perguntou zzzzzz

E tchau.