Olá!
Estou escrevendo por motivos de: tô com vontade.
Um aviso: as vezes eu escrevo sem acento, leio o texto pra corrigir depois e esqueço de colocar os acentos. Foi mal.
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De volta para minha terra (brinks)
Sabe, dia 01 de janeiro eu embarquei em dois aviões pra chegar em Lima, no Peru.
Para quem não sabe (e/ou está se perguntando o motivo de eu ter ido justamente pro Peru): meu pai é peruano, daí vem o sobrenome que todo mundo faz questão de ler ou escrever errado: Chistama (variações: Cristina, Christama, Cristama, Christana, entre outras que eu ainda vou ouvir no decorrer da vida).
Em... Não lembro exatamente o dia, mas uns dias depois do natal e antes do ano novo de 2009, nós (no caso anterior e no atual: eu, papai e mamãe) viajamos pro Peru pela primeira vez.
Foi uma coisa incrível, quase mágica dá pra dizer, era a primeira vez que fazíamos uma viagem em família pro exterior, com o objetivo de:
conhecer a terrinha e IR AO MACHU PICCHU.
Nós fomos
Foi massa.
Já nesse 01 de janeiro, o negócio já não era mais o mesmo.
Não lembrava o quão problemático era pegar dois aviões, principalmente considerando o fato de que EU NÃO DURMO EM AVIÕES, aliás, quem dorme, né?
Meu Deus, como pode alguém estar dentro de um troço gigante com um potencial de cair e explodir ENORME e, sei lá, dormir sem estar extremamente exausto? Eu não sei.
Para quem não sabe, não existe voo direto de Manaus até Lima (NOVIDADE, NÉ?), então tivemos que fazer conexão no Panamá (uma viagem de umas 3 horas e meia), coisa que não durou muito, só deu tempo de dar uma olhada nas lojas e comprar o batom PIPIRA RED e, depois de adquiri-lo, eu e mamãe só andávamos assim:
Pois bem, corremos pra pegar outro avião (PARA LIMA, FINALMENTE) e aí eu dormi. Dormi mesmo, foi mal galera, mas eu estava virada da madrugada passada. Para ser sincera, eu não dormi, eu desmaiei mesmo nas outras 3 horas e meia, porque dormir assim, por vontade própria, DENTRO DE UM AVIÃO, não é coisa de gente normal.
Eu, sinceramente, não lembro mais nem que horas chegamos, sei que saímos do aeroporto e fomos pra casa de uma prima que morava lá perto. Comemos ceviche e aí eu posso dizer que foi a melhor coisa do dia, porque lembra aí, eu estava virada-dormida-no-avião, não sabia nem dizer quanto era 2 + 2 sem pensar por uns 10 minutos antes, então ver aquele ceviche caseiro do senhor jesus ali só esperando a gente foi, óh, uma coisa linda.
Os dias passaram esquisitos, porque parecia lento, e rápido, e lento, e rápido, e rápido, e lento. Me perdi no tempo e espaço umas trezentas milhões de vezes, nunca sabia que dia era, que horas eram, quem eu era ou o que eu estava sentindo no momento.
Uma confissão: não sabia nem dizer se eu estava afim de viajar ou não.
Pra não transformar isso aqui em um diário, vou falar no geralzão, viu?
Uma das coisas que me chamou atenção em Lima (assim como da última vez) foi o clima.
Aos desinformados, desacostumados, desinteressados, aqui em Manaus o parada é louquíssima, o calor é infernal mesmo, as vezes está tão quente que você consegue até enxergar o capeta atravessando a rua, tipo esse flagra ali na Djalma:
Não tem pra onde correr, como se esconder, não existe salvação do calor de Manaus (a não ser que esteja caindo um toró, mas mesmo assim...), até porque além de quente, o vento que bate (QUANDO bate) também é quente, fora a umidade, ou seja: horrível, mano, é tudo quente.
Já em Lima não, até quando é quente, é frio também.
Eu, como uma boa manauara, estava me tremelicando loucamente sempre, vivia de casaco, até alguns dias passarem e eu me acostumar um pouquinho.
Lá a gente não soa como em Manaus, o suor evapora ou simplesmente foge, sei lá, ele não permanece nunca. O sol é quente, é solzão, queima a pele se não tomar cuidado, mas você só percebe quando chega em casa parecendo um panda, porque o ventinho é tão gelado eternamente que você nem sente a sua pele torrando.
Uma coisa engraçada (?) lá é que a água da torneira é tão gelada quanto água da geladeira, e a água que a gente bebe, que deveria vir, supostamente, de uma geladeira, não vem, é sempre em temperatura ambiente, deu pra entender?
Você chega numa casa para tomar banho e não procura saber se tem ou não chuveiro elétrico, então você vai, entra no banheiro, normal e tal, liga o chuveiro e morre.
De frio.
A sensação é que tem um inca atrás da parede tirando jarras de água de dentro da geladeira e jorrando pelo seu chuveiro. É, definitivamente, a água mais gelada na qual você vai tomar banho na vida inteira (felizmente, na casa onde a gente ficou, tinha chuveiro elétrico, então nos primeiros dias, era só banho quente, mas o tempo passou e eu deixei de sofrer calada e comecei a tomar banho de água de geladeira mesmo pra ter aquela sensação de FULL EXPERIENCE).
Outra coisa engraçada lá era o isolamento acústico inexistente. Lá não se usa ar condicionado (não tem necessidade, já que se você está com calor, você abre a janela e fica tudo parecendo um cenário de Frozen), então você não tem aquele ZEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNN de fundo, sabe? É tudo silencioso de mais. Se você pensar muito alto na cozinha, alguém no quarto escuta (SÉRIO AUHEUAHE). Como nós ficamos em um prédio (mais precisamente em um apartamento num condomínio MACETA!), dava pra ouvir a vida da vizinha inteira, e o mais engraçado é que a mulher devia ser um vampiro, porque ela não dormia.
Se você acordasse no meio da madrugada, tipo 3 da manhã, você ia ouvir a mulher falando da vida, brigando ou ouvindo rádio. 5 da manhã também. Só que lá pelas 8 acho que ela desmaiava ou saía de casa, ficava silencio, o que não dava pra aproveitar muito já que lá pelo meio dia ela estava ouvindo rádio ou gritando, de novo. E era assim o resto do dia inteiro. Eu não sei se ela tinha uma família grande, gigante ou a gente escutava todas as pessoas do prédio ao mesmo tempo, só sei que tinha hora em que eu nem prestava mais a atenção no que ela estava falando, mas não tive como me fazer de surda no dia em que ela apareceu escutando GUSTAVO LIMA E VOCÊ TCHERERETCHETCHETCHERERETCHETCHE.
Ainda falando de coisas engraçadas (já que eu não quero chamar de "coisas curiosas", "coisas diferentes" e etc), o trânsito lá é eternamente bizarro, sabe, ETERNAMENTE, tipo, eternamente.
Nunca vi um lugar pra ter uma galera mais "fast and furious very crazy look this sinal vermelho que eu não tô nem aí". Dessa vez eu percebi que em cada quarteirão deviam ter uns dois ou um milhão de quebra-molas e, ao mesmo tempo que eu entendo o motivo, eu também não entendo, é super esquisito ver o carro pegando uma velocidadezinhOPA PERAÍ UM QUEBRA-MOLA, OPA PERAÍ OUTRO QUEBR-OPA OPA OPA OPA.
Gente, qual a necessidade disso? UAHEUHAEUA
Daí, sinal vermelho lá é o mesmo que:
Tipo, o sinal fecha, fica vermelhinho e do lado ficam passando os segundos que faltam pra ele abrir, o sinal de pedestres abre e lá ficam contando os segundinhos que faltam pra ele fechar, daí eu te pergunto:
TU ACHA QUE ELES SE IMPORTAM?
NAUM MEIXMU KIRIDA
O que eu vi de carro (táxis) passando no meio dos pedestres, mesmo com o sinal MORTO DE VERMELHO, não foi pouco.
A gente tem que andar na faixa olhando pra todos os lados porque é capaz de cair táxi até do céu tamanho o abuso, UAHEUAHEUE.
Ainda falando de carros (?) uma coisa legal de lá são os táxis, quer dizer, o sistema que os táxis usam.
Você chega lá, faz sinal, o táxi para.
Você diz "aí tio, até ali miraflores e tal", ele pode:
a) responder "não, brigado" e ir embora, sem dizer adeus
b) responder "pô, pode crer, são 15 soles"
Aí você tem a opção de:
a) entrar no táxi e vlw, flw
b) responder de volta "15 SOLES? VOCÊ TÁ LOCÃO?! faz aí por 12 soles, tio"
Então ele tem a opção de:
a) dizer "você está louca, querida" e ir embora
b) dizer "meh, tá bom".
Isso é muito legal porque você separa aí o dinheiro do táxi, e pronto!
Sem surpresas, sem imprevistos, mesmo que o cara passe três dias e três noites no trânsito, o preço continua o mesmo.
Em compensação, todo mundo é taxista. É estranho o fato de que você não sabe exatamente quem é um taxista de verdade-dade e quem não é. Sei lá.
No meio das coisas engraçadas, vale a pena falar sobre pechincha.
Tudo se pechincha lá, tudo mesmo.
Tipo, nós entrávamos em uma loja e víamos umas camisas bem legais com a estampa do Peru.
Beleza.
A gente chega lá na atendente e pergunta o valor,
ela diz, sei lá, 20 soles,
você faz cara de espanto, pode até dizer "20 SOLEEES???????!!!" e pergunta qual é "o último",
daí ela vai lá e responde, sei lá, 18 soles.
Se você tiver muita paciência ou pouco dinheiro ainda dá pra dar uma choradinha e dizer "senhorita, 17 soles, porfaaaaaa!" e ficar nessa até ela baixar o preço várias vezes ou ela dizer "miga, é 18 soles ou nada" e você decidir se compra ou não.
Melhor ainda são em grandes compras, que dá pra queixar desconto adoidado nos itens separadamente e depois queixar mais desconto no preço final.
Mas tem que ter paciência e cara de pau mesmo, coisa que minha mãe desenvolveu com facilidade (para o nosso bem).
Mais uma coisa que merece ser comentada aqui é: a comida.
Cara, pra alguém que come igual um passarinho, foi uma experiencia meio louca, sabe?
Não importa onde você vá ou que prato você peça, SEMPRE VAI SER COMIDA DE MAIS!
Os caras gostam de arrochar no prato mesmo.
Você chega lá com uma fome normal, pede um lomo saltado, sei lá, e TOME LOMO E ARROZ E SIDUHCIDOUSHCISOHUISHSIU comida pra sempre.
Um prato é equivalente ao meu prato + o prato da minha mãe tamanha a quantidade de comida que vem.
Fora o negócio do primeiro e segundo prato.
Não, você não tem só que pensar desesperado onde é que vai enfiar tanta comida quando vê o segundo prato, você tem que se preocupar antes com a sopa (ou outras coisas, dependendo do lugar) que você tem que tomar primeiro.
Você tem quase que fazer um tetris estomacal pra comer tudo, onde cada colherada deve se acomodar nos cantinhos mais apertados do seu estômago pra que consiga comer tudo. Ou quase tudo.
Mas a comida é boa, muito boa.
O último item, algo que eu não poderia deixar de falar: as pessoas.
Sabe, corre aí o boato de que o brasileiro é super receptivo... Ou algum adjetivo parecido com esse, mas quem disse isso, olha, não foi ao Peru.
Considerando todos os atendentes de restaurante, lanchonete, lojas aleatórias que foram simpáticos, eu já posso dizer que quero viver lá pra sempre.
É todo mundo educado que até o garotinho que pede dinheiro na rua te chama de "senhora".
É impossível não arregalar os olhos vez ou outra quando se escuta a primeira pessoa a deixar a mesa dizendo algo como "provecho" ou "gracias", ou quando você ouve todo mundo pedindo licença e desculpas. Não que nós sejamos mal educados (ou, talvez seja isso mesmo), mas é que eles são tão educados que assusta.
Eu sei que isso é péssimo, quem se assustaria com isso?
Pois é, eu, brasileira, manauara.
Sabe a melhor parte?
É quando esse pessoal simpático, gentil e educados são a sua família.
Antes de viajar, a gente escutou os comentários de como seria O EVENTO DO ANO nós irmos pra lá, porque, sabe, faziam décadas que a família não via meu pai (a história é longa, mas ele veio pro Brasil com uns 17 anos e agora ele já tem uns 50).
Eu não sabia o que esperar com isso, não sabia mesmo, pela minha natureza introspectiva, eu já estava com medo de conhecer tanta gente, porque eu não sei conversar, eu falo baixo, eu olho pro chão, o que eles iriam pensar?
Conhecemos um primo, dois primos, três primos... Até uma reunião de domingo, sabe? Daquelas em que a família toda se encontra na casa de alguém pra almoçar e botar a conversa em dia.
Nunca vi TANTO parente junto de uma só vez, UAHEUHAU, é sério!
É uma família gigante! ♥
E conhecendo um por um, parando pra conversar com tias e primos que eu esqueci o quão medrosa eu estava e aí eu soube que não dava pra negar, nós somos família mesmo.
É uma sensação diferente ver tanta gente, que nunca nem ouviu a tua voz, chegando perto de ti e te abraçando com tanta vontade, quase como que com saudade de alguma coisa que vocês não viveram.
Sabe a saudade de algo que você nunca teve?
Pois é, tipo isso.
Os brasileiros perdem pro calorzinho humano e os olhinhos brilhando que os peruanos te oferecem.
A melhor parte era ver como eles são animados, que a reunião acontece para que eles se juntem, se vejam, conversem, e que se rola umas cervejas, bom, isso é só um bônus, quando que aqui, o objetivo das reuniões é beber apenas.
Difícil, né?
Ah, vale lembrar que eles dançam.
TODOS dançam, sempre dançam.
Nunca vi um negócio desses, UAHUEHAU,
mas é porque aqui, né, só se dança quando se está em festa ou muito bêbado.
É interessante observar as diferenças e ver como você consegue se sentir em casa em, sei lá, 2 minutos. Ver como tá todo mundo feliz e rindo, despreocupados, até caírem os olhos em ti e perguntarem como você está, se precisa de alguma coisa, eles te fazem sentir tão importante que as vezes você não sabe nem como agir, você só pode ser grato eternamente.
Se o Peru já era um lugar importante pra gente antes desses dias, hoje eu posso dizer que ele é essencial.
E eu vou voltar SEMPRE ò.ó
E se tiver CsF pra lá, eu vou.
Se não tiver, vou pra Argentina, UAHEUAHEUHA :3
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OIE
E AÍ
COMO VAI?
Esse não foi lá um grande post, mas é isso aí que tem sobre a viagem.
Eu não poderia estar mais satisfeita com essa viagem, foi tudo lindo, maravilhoso, cheio de pessoas maravilhosas ♥ tanto que eu já nem queria voltar pra casa! UAHEUAHEUA
Mas enfim, em breve eu volto (semana que vem abre o sisu e É ESSE ANO, GALEROOOOOOOO!).
E é isso aí.
Vlw.
Flw.
Ps: dia 15/01 é aniversário do meu vovô ♥ pai do papai, seu Cholo, AUEHAUHE.
TEJE PARABENIZADO E CHEIO DE ANOS DE VIDA!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015





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