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Peço desculpas pelo que escrevo aqui

Mas você clicou porque quis!
Pulando o famoso blá blá blá faz tempo que não escrevo blá blá blá desculpa esfarrapada pra justificar minha incapacidade de escrever com frequência blá blá blá... Ohorat?


WARNING:
O TEXTO A SEGUIR FOI ESCRITO NO MODO INFIRES.
SE VOCÊ SE OFENDER OU SEI LÁ O QUÊ, A CULPA É DA SUA CONSCIÊNCIA PORQUE EU NÃO CITO NOMES, ahauahuahua. 
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GUESS WHAT: A CULPA É TODA SUA!


Ei, você já pensou na possibilidade de a teia do destino ser só uma mentira? Você já tentou se imaginar em um mundo em que ~almas gêmeas~ não existem? Você já parou pra analisar que, na verdade, o fato de você ser um merdinha se justifica pelo fato de... você ser um merdinha, e não pelo fato de você ser de touro
É, meu querido, já imaginou como seria ter que carregar o fardo das suas decisões e indecisões sem ter o possível, o impossível, nem mesmo o sobrenatural como desculpa? Que louco, não?
O nome disso é "esse é meu jeito ninja!".

Já tem algum tempo que deixei de ser o Jimmy Bolha e comecei a encarar a minha própria vida como uma coisa sem sentido. Não, eu não nasci pra ganhar o nobel, nem pra salvar vidas, nem pra impedir o apocalipse, eu nasci sem propósito nenhum. Não, eu também não nasci pra ser uma ladra, traficante ou mendiga. Eu nasci única e exclusivamente para: crescer, passar raiva, etc e morrer, assim como todo mundo.
Uma curiosidade sobre como é ser filha única é que você cresce com o [ÚNICO] escrito na sua testa. Seus pais, familiares, amigos, todo mundo tem um, dois, três irmãos pra dividir seja lá o que aconteça em suas vidas, mas quando se é filho único, você tem a LEVE IMPRESSÃO de que, de alguma forma, você é MAIS ESPECIAL que os outros.
TODO mundo te dá mais atenção do aquele seu primo que tem um, dois, três irmãos. TODO mundo te acha estranhamente muito inteligente, mesmo não tendo um, dois ou três irmãos para comparar seu nível intelectual.
Bem vindo ao mundo, mini gênio, eu sinto muito se os próximos anos só irão jogar na sua cara que, na verdade, você tá bem na média.
Depois de alguns breackdowns emocionais escondidos (JÁ QUE VOCÊ É A ÚNICA ESTRELINHA NO CÉU, VOCÊ BEM SABE QUE QUALQUER LAGRIMINHA QUE VOCÊ DERRAMAR VAI ACARRETAR EM TREZENTAS PERGUNTAS DE "o que aconteceu?" QUE VOCÊ NÃO VAI SABER RESPONDER), você começa a desenvolver a ideia de que "E SE EU NÃO SOU TÃO ESPECIAL ASSIM???".
Doeu? 
Doeu, mas ninguém precisava saber.

Você passa a adolescência repetindo todo santo dia "eu não sou especial" que, em algum momento dentro da faculdade você chega na conclusão de que: é, realmente, mas também, tanto faz; daí você começa a viver uma vida baseada em
1. É o que tem pra hoje;
2. Rapaz, eu tento não criar expectativas.

Triste? Melancólico? Difícil?
Não, na verdade não.

Depois de todo esse processo, vai chegar um dia em que você vai se olhar no espelho e pensar: como é boa a sensação de que eu posso ser tudo e nada ao mesmo tempo.
A melhor parte disso é saber que não, eu não fui destinada a ser tal coisa, nem que meu chamado é pra ser outra coisa, nah, para com isso, siga o seu instinto e veja no que vai dar, o seu ponto de chegada vai te mostrar PURKÊ RAIOS você está aqui. Eu tô seguindo em frente e, por mais otimista e INCOMUM DE MINHA PESSOA isso seja, eu tô bem feliz em como as coisas estão indo, mas ainda assim, não tô antecipando nada, deixa rolar.



MAS CALMA
AINDA NÃO ACABOU
ESSE TEXTO NÃO É PARA FALAR DAS MINHAS NÃO-REALIZAÇÕES-REALIZADAS
MUITO PELO CONTRÁRIO

Das coisas que a gente percebe quando FINALMENTE larga a Síndrome de Floquinho de Neve de lado é que TODO MUNDO AO SEU REDOR ainda insiste nessa conversa e, convenhamos, você até tenta, mas é impossível não achar que todo mundo é idiota

Outro dia estava conversando com alguém do meu círculo social sobre como a Síndrome de Floquinho de Neve das pessoas está afetando nosso meio social. AH, e pra quem não sabe:

Síndrome de Floquinho de Neve
Nomeada após a divulgação do fato de que todo floco de neve é diferente, faz alusão à mania das pessoas de se acharem incrivelmente especiais, sendo utilizada, na maioria das vezes, para justificar certas atitudes equivocadas envolvendo perseverança em situações que você jura de pé junto que é o "destino" mas, convenhamos, minha filha, vai dar merda, só você não quer ver.

~~~VOLTANDO~~~

Pois bem, conversando com essa tal pessoa sem nome e que ninguém sabe quem é, levantamos alguns casos que andei lendo em fóruns na internet. O primeiro caso é o seguinte:

Você acredita em alma gêmea?
Estava eu explicando para aquele que não deve ser nomeado sobre o fato de como muitas pessoas responderam a pergunta com um SIM, algumas com a justificativa de "por exemplo, eu e meu/minha ex, nós somos alma gêmeas, mesmo que a gente brigue e termine, a gente se ama".
Dói, em meu pequeno coração de Grinch, ver como as pessoas são.

Quer dizer que você se apaixona, dá errado, você continua, dá errado, você insiste, dá bosta, você leva pra frente, SÓ DÁ RUIM, e ainda assim você acredita com todo o seu coração que vale a pena porque vocês SÃO ALMAS GÊMEAS? CÊ TÁ FALANDO SÉRIO OU TÁ DE BRINKS COM MINHA FACE?
Nada contra amor verdadeiro, inclusive apoio sim, amo, sou totalmente a favor de todo mundo ter um mozão, mas cara, tudo tem limite.

Sempre que paro pra pensar num negócio desses, chego na seguinte sequência:
1. pra começo de conversa as pessoas, quando se apaixonam, elas juram de pé junto que vão ficar juntas pra sempre (porque, obviamente são almas gêmeas, né...);
2. daí elas ignoram completamente a possibilidade de que tudo isso (todo esse amor, dedicação e blá blá blá) pode dar errado, e quando eu digo errado, quero dizer que PODE DAR MERDA;
3. então elas acabam se agarrando com todas as forças na outra pessoa, desenvolvendo aquele pensamentinho pobre de que se elas se separarem ela vai morrer, ela vai chorar, vomitar, desidratar, e depois vai morrer porque
4. NUNCA NESTE MUNDO ELA IRÁ ENCONTRAR ALGUÉM COMO O/a FULANO/a, então ela tem que passar por POUCAS E BOAS com o babacão do Fulano porque, NO FIM, vai valer a pena.
E de toda essa sequência, só posso dizer que você está certinho num ponto: cê não vai encontrar alguém como o Fulano/a Fulana porque você está JOGANDO FORA A OPORTUNIDADE DE ENCONTRAR ALGUÉM MELHOR, BJ NO CORAÇÃO, FLW TROUXA, TCHAU.

Apesar de estar namorando há quase 4 anos (e, CONVENHAMOS, já ter passado por umas bostinhas ~~quem conhece, sabe~~), eu tenho plena consciência (eu e certas pessoas meu namorado) de que se a gente terminar, vou ficar triste? Vou. Vai bater a bad? Vai, mas no final: CAGUEI1!!!!!11!!1 Tem 7+ bilhões de pessoas no mundo, eu vou encontrar alguém melhor (e certas pessoas meu namorado também vai!). Se, por ventura, estamos jogando tempo fora um com o outro, cara... Depois a gente se resolve, se não, ótimo que ainda estamos juntos. Quero terminar? Não, mas também não me impede de acordar do sono da Alice e viver uma vida que se der certo, ótimo, se não, tá bom também.

MAS AS PESSOAS SÃO ASSIM?
NÃO.
Essa é a minha Síndrome de Floquinho de Neve?
Deve ser...


Depois falamos de outra ramificação da Síndrome de Floquinho de Neve que é quando você jura de pé junto que é melhor que os outros por [insira aqui algo relacionado ao seu gosto pessoal].

PARÔ O RETARDO, GALERA

GUESS WHAT

VOCÊ GOSTA DE [insira aqui banda/filme/seriado]?
GRANDES MERDAS.
VOCÊ NÃO GOSTA DE [insira aqui banda/filme/seriado]?
GRANDES MERDAS TAMBÉM.

Aqui, sejamos sinceros, não tem muito o que falar.
Enquanto as pessoas tentam com todas as suas forças parecerem melhores, mais inteligentes, mais talentosas, com o humor mais refinado (AHAHAHAHAHA) do que as outras, eu tô aqui, falando bosta pra dar ibope, mas, no fundo da minha cabeça, tô fazendo uma lista de todos os seus possíveis problemas psicológicos envolvendo sua infância, sua adolescência, sua família e terminando tudo com "tadinho/a, ele/a é carente, [insira aqui alguma situação muito pessoal que possa ter causado essa necessidade de atenção/aprovação absurda que eu não vou falar porque pode rolar processo]".
Desculpa, galera.

É por essas e outras que:
1. eu não me acho melhor do que ninguém,
2.
mas acho que ninguém é melhor do que eu,
3.
 e eu tô bem ligada que eu gosto de um monte de porcaria, viu?

O melhor hater é aquele que odeia tudo e todo mundo de forma igual.

Por fim, a gente chegou naqueles que se acham os donos da verdade porque COMIGO ACONTECEU DE TAL JEITO, EU ACHO QUE É ASSIM, EU EXCLUO DA MINHA CABEÇA O FATO DE QUE O SER HUMANO É EXTREMAMENTE COMPLEXO E QUE UMA SITUAÇÃO PODE SE DESENROLAR DE TREZENTAS FORMAS DIFERENTES E CHEGAR EM QUINHENTAS CONCLUSÕES DIFERENTES DA MINHA, porque eu sou um floquinho de neve único e especial.

Veja só, eu não tenho um bom exemplo pra utilizar aqui (mentira, tenho sim, mas por motivos judiciais, eu prefiro não comentar), mas vamos tentar bolar um exemplo bem cabeça de mamão pra desenvolver.

Certo.
Você é alguém com intolerância à lactose.
Você bebe leite, toma sorvete, come queijo, e sua barriga começa a agir como se tivesse uma montanha russa dentro dela.
Essa é a sua realidade, isso é o que você conhece.
Vamos seguir para uma interação social.
Certo.
Você conhece alguém com o mesmo problema.
A pobre pessoa também sente a montanha russa dentro dela quando bebe leite, quando toma sorvete, mas, CURIOSAMENTE, não sente nada quando come queijo.
Você, como um belo de um retardado mental, NÃO CONSEGUE ACREDITAR QUE ISSO SEJA POSSÍVEL, não importa quantos kilos de queijo qualho você enfie goela abaixo da pessoa, e o quanto ela reaja como alguém que não é intolerante à lactose.
Não-certo.
Você ignora o fato de que seres humanos são complexos (e blá blá tudo o que eu já falei ali em cima) e que podem reagir e agir e etc de forma diferente um dos outros.
Você ignora o fato de que a sua realidade não é a realidade de todo mundo.
VOCÊ IGNORA O FATO DE QUE NÃO É UM FLOQUINHO DE NEVE ESPECIAL QUE SABE DE TODAS AS COISAS DO UNIVERSO.

De todas as ramificações da SdFdN, essa é, sem dúvidas, a que mais destrói o meu meio social, porque as pessoas acabam se metendo em discussões sem fim (e sem sentido) sobre coisas que outras pessoas são incapazes de lidar por não ser por isso que elas passam.
Isso fez sentido?
Espero que sim.
Se não, vou usar um caso pessoal:
É extremamente irritante quando digo pra alguém que não posso ingerir maçã, banana e café em excesso que eu tenho uma reação estomacal nada agradável.
A pessoa SIMPLESMENTE quer DEBATER com a minha pessoa sobre as reações do MEU CORPO que ela considera IMPOSSÍVEIS.

Querido/a
.
.
.
VOCÊ TEM ALGUM PROBLEMA?
EU JÁ NÃO FALEI QUE COMIGO É ASSIM QUE ACONTECE?
POR QUE RAIOS VOCÊ QUER CONTINUAR COM O PAPO DE "AH, MAS EU NUNCA VI ISSO"?
POR QUE RAIOS VOCÊ ME APARECE COM "MAS COMIGO NÃO É ASSIM"?
EU TE PERGUNTEI ALGUMA COISA?

EU TÔ TE PEDINDO AVALIAÇÃO?
meu pai do céu
que saco

E não, eu não tô falando de dividir experiências.
Eu não tô falando sobre:
"Putz, sabe uma coisa que me deixa com montanha russa na barriga? Maçã."
"Nossa, cara, sério? Eu consigo comer maçã de boas."
"Pois é, cara, não sei nem o motivo disso."
"Que coisa, não? Com maçã não me sinto assim, mas com mamão sim."
"Sério? Que coisa curiosa!"

Não é disso que eu tô falando.
Eu tô falando de gente burra mesmo.
De vários "não acredito nisso", "isso não existe", "isso não é assim", "isso NÃO PODE ser assim", e etc.

Entenda que:
SE não aconteceu >desse< jeito com você
PARABÉNS
PRA VOCÊ
É isso que você espera ouvir?
Não?
Então desculpa, mas pra quem paga de babaca, é só o que ta tendo.

Deixe de lado esse feeling de único e especial e ABSORVA as experiências dos outros para seu próprio aprendizado e crescimento.

Então foi assim que Fulano estudou? Hmmm *guarda a info*
Então foi assim que Fulano se apaixonou? Hmmm *guarda a info*
Então foi assim que Fulando reagia à intolerância à lactose? Hmmm *guarda a info*

sobre questionar a vivência alheia:
cara
larga disso
larga disso
LARGA DISSO
LARGA DISSO!!!

E boa sorte na sua vida.


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Fim de texto.
Morri de cansaço,
fazia tempo que eu não escrevia,
editei isso trocentas vezes pra evitar processos judiciais (uahauhau),
troquei a fonte,
troquei de novo,
mudei as cores,
Helvetica,
negrito
itálico
normal, 
grande
maior.

Vou ficar mais um ano, um ano e meio, dois anos sem postar, então, desculpa qualquer coisa, e até a próxima!

Ps: NÃO, isso não é um texto pro meu namorado, nem pros meus pais, nem pra ninguém, eu escrevo o que vem na minha cabeça e no meu s2, NÃO PENSO EM NINGUÉM QUANDO ESCREVO, então, plis, sem ondas desnecessárias.

~~~~~yehet

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Sobre viagem e viajar

Olá!
Estou escrevendo por motivos de: tô com vontade.
Um aviso: as vezes eu escrevo sem acento, leio o texto pra corrigir depois e esqueço de colocar os acentos. Foi mal.
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De volta para minha terra (brinks)

Sabe, dia 01 de janeiro eu embarquei em dois aviões pra chegar em Lima, no Peru.
Para quem não sabe (e/ou está se perguntando o motivo de eu ter ido justamente pro Peru): meu pai é peruano, daí vem o sobrenome que todo mundo faz questão de ler ou escrever errado: Chistama (variações: Cristina, Christama, Cristama, Christana, entre outras que eu ainda vou ouvir no decorrer da vida).
Em... Não lembro exatamente o dia, mas uns dias depois do natal e antes do ano novo de 2009, nós (no caso anterior e no atual: eu, papai e mamãe) viajamos pro Peru pela primeira vez. 
Foi uma coisa incrível, quase mágica dá pra dizer, era a primeira vez que fazíamos uma viagem em família pro exterior, com o objetivo de: 
conhecer a terrinha e IR AO MACHU PICCHU.
Nós fomos
Foi massa.

Já nesse 01 de janeiro, o negócio já não era mais o mesmo.
Não lembrava o quão problemático era pegar dois aviões, principalmente considerando o fato de que EU NÃO DURMO EM AVIÕES, aliás, quem dorme, né?
Meu Deus, como pode alguém estar dentro de um troço gigante com um potencial de cair e explodir ENORME e, sei lá, dormir sem estar extremamente exausto? Eu não sei.

Para quem não sabe, não existe voo direto de Manaus até Lima (NOVIDADE, NÉ?), então tivemos que fazer conexão no Panamá (uma viagem de umas 3 horas e meia), coisa que não durou muito, só deu tempo de dar uma olhada nas lojas e comprar o batom PIPIRA RED e, depois de adquiri-lo, eu e mamãe só andávamos assim:



Pois bem, corremos pra pegar outro avião (PARA LIMA, FINALMENTE) e aí eu dormi. Dormi mesmo, foi mal galera, mas eu estava virada da madrugada passada. Para ser sincera, eu não dormi, eu desmaiei mesmo nas outras 3 horas e meia, porque dormir assim, por vontade própria, DENTRO DE UM AVIÃO, não é coisa de gente normal.

Eu, sinceramente, não lembro mais nem que horas chegamos, sei que saímos do aeroporto e fomos pra casa de uma prima que morava lá perto. Comemos ceviche e aí eu posso dizer que foi a melhor coisa do dia, porque lembra aí, eu estava virada-dormida-no-avião, não sabia nem dizer quanto era 2 + 2 sem pensar por uns 10 minutos antes, então ver aquele ceviche caseiro do senhor jesus ali só esperando a gente foi, óh, uma coisa linda.

Os dias passaram esquisitos, porque parecia lento, e rápido, e lento, e rápido, e rápido, e lento. Me perdi no tempo e espaço umas trezentas milhões de vezes, nunca sabia que dia era, que horas eram, quem eu era ou o que eu estava sentindo no momento.

Uma confissão: não sabia nem dizer se eu estava afim de viajar ou não.

Pra não transformar isso aqui em um diário, vou falar no geralzão, viu?

Uma das coisas que me chamou atenção em Lima (assim como da última vez) foi o clima.
Aos desinformados, desacostumados, desinteressados, aqui em Manaus o parada é louquíssima, o calor é infernal mesmo, as vezes está tão quente que você consegue até enxergar o capeta atravessando a rua, tipo esse flagra ali na Djalma:



Não tem pra onde correr, como se esconder, não existe salvação do calor de Manaus (a não ser que esteja caindo um toró, mas mesmo assim...), até porque além de quente, o vento que bate (QUANDO bate) também é quente, fora a umidade, ou seja: horrível, mano, é tudo quente.

Já em Lima não, até quando é quente, é frio também. 
Eu, como uma boa manauara, estava me tremelicando loucamente sempre, vivia de casaco, até alguns dias passarem e eu me acostumar um pouquinho. 
Lá a gente não soa como em Manaus, o suor evapora ou simplesmente foge, sei lá, ele não permanece nunca. O sol é quente, é solzão, queima a pele se não tomar cuidado, mas você só percebe quando chega em casa parecendo um panda, porque o ventinho é tão gelado eternamente que você nem sente a sua pele torrando.

Uma coisa engraçada (?) lá é que a água da torneira é tão gelada quanto água da geladeira, e a água que a gente bebe, que deveria vir, supostamente, de uma geladeira, não vem, é sempre em temperatura ambiente, deu pra entender?
Você chega numa casa para tomar banho e não procura saber se tem ou não chuveiro elétrico, então você vai, entra no banheiro, normal e tal, liga o chuveiro e morre. 
De frio.
A sensação é que tem um inca atrás da parede tirando jarras de água de dentro da geladeira e jorrando pelo seu chuveiro. É, definitivamente, a água mais gelada na qual você vai tomar banho na vida inteira (felizmente, na casa onde a gente ficou, tinha chuveiro elétrico, então nos primeiros dias, era só banho quente, mas o tempo passou e eu deixei de sofrer calada e comecei a tomar banho de água de geladeira mesmo pra ter aquela sensação de FULL EXPERIENCE).

Outra coisa engraçada lá era o isolamento acústico inexistente. Lá não se usa ar condicionado (não tem necessidade, já que se você está com calor, você abre a janela e fica tudo parecendo um cenário de Frozen), então você não tem aquele ZEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNN de fundo, sabe? É tudo silencioso de mais. Se você pensar muito alto na cozinha, alguém no quarto escuta (SÉRIO AUHEUAHE). Como nós ficamos em um prédio (mais precisamente em um apartamento num condomínio MACETA!), dava pra ouvir a vida da vizinha inteira, e o mais engraçado é que a mulher devia ser um vampiro, porque ela não dormia.
Se você acordasse no meio da madrugada, tipo 3 da manhã, você ia ouvir a mulher falando da vida, brigando ou ouvindo rádio. 5 da manhã também. Só que lá pelas 8 acho que ela desmaiava ou saía de casa, ficava silencio, o que não dava pra aproveitar muito já que lá pelo meio dia ela estava ouvindo rádio ou gritando, de novo. E era assim o resto do dia inteiro. Eu não sei se ela tinha uma família grande, gigante ou a gente escutava todas as pessoas do prédio ao mesmo tempo, só sei que tinha hora em que eu nem prestava mais a atenção no que ela estava falando, mas não tive como me fazer de surda no dia em que ela apareceu escutando GUSTAVO LIMA E VOCÊ TCHERERETCHETCHETCHERERETCHETCHE.

Ainda falando de coisas engraçadas (já que eu não quero chamar de "coisas curiosas", "coisas diferentes" e etc), o trânsito lá é eternamente bizarro, sabe, ETERNAMENTE, tipo, eternamente.
Nunca vi um lugar pra ter uma galera mais "fast and furious very crazy look this sinal vermelho que eu não tô nem aí". Dessa vez eu percebi que em cada quarteirão deviam ter uns dois ou um milhão de quebra-molas e, ao mesmo tempo que eu entendo o motivo, eu também não entendo, é super esquisito ver o carro pegando uma velocidadezinhOPA PERAÍ UM QUEBRA-MOLA, OPA PERAÍ OUTRO QUEBR-OPA OPA OPA OPA
Gente, qual a necessidade disso? UAHEUHAEUA
Daí, sinal vermelho lá é o mesmo que:

Tipo, o sinal fecha, fica vermelhinho e do lado ficam passando os segundos que faltam pra ele abrir, o sinal de pedestres abre e lá ficam contando os segundinhos que faltam pra ele fechar, daí eu te pergunto: 
TU ACHA QUE ELES SE IMPORTAM?
NAUM MEIXMU KIRIDA
O que eu vi de carro (táxis) passando no meio dos pedestres, mesmo com o sinal MORTO DE VERMELHO, não foi pouco. 
A gente tem que andar na faixa olhando pra todos os lados porque é capaz de cair táxi até do céu tamanho o abuso, UAHEUAHEUE.
Ainda falando de carros (?) uma coisa legal de lá são os táxis, quer dizer, o sistema que os táxis usam. 
Você chega lá, faz sinal, o táxi para. 
Você diz "aí tio, até ali miraflores e tal", ele pode:
a) responder "não, brigado" e ir embora, sem dizer adeus
b) responder "pô, pode crer, são 15 soles"
Aí você tem a opção de:
a) entrar no táxi e vlw, flw
b) responder de volta "15 SOLES? VOCÊ TÁ LOCÃO?! faz aí por 12 soles, tio"
Então ele tem a opção de:
a) dizer "você está louca, querida" e ir embora
b) dizer "meh, tá bom".
Isso é muito legal porque você separa aí o dinheiro do táxi, e pronto! 
Sem surpresas, sem imprevistos, mesmo que o cara passe três dias e três noites no trânsito, o preço continua o mesmo.
Em compensação, todo mundo é taxista. É estranho o fato de que você não sabe exatamente quem é um taxista de verdade-dade e quem não é. Sei lá.

No meio das coisas engraçadas, vale a pena falar sobre pechincha. 
Tudo se pechincha lá, tudo mesmo.
Tipo, nós entrávamos em uma loja e víamos umas camisas bem legais com a estampa do Peru.
Beleza.
A gente chega lá na atendente e pergunta o valor, 
ela diz, sei lá, 20 soles, 
você faz cara de espanto, pode até dizer "20 SOLEEES???????!!!" e pergunta qual é "o último", 
daí ela vai lá e responde, sei lá, 18 soles.
Se você tiver muita paciência ou pouco dinheiro ainda dá pra dar uma choradinha e dizer "senhorita, 17 soles, porfaaaaaa!" e ficar nessa até ela baixar o preço várias vezes ou ela dizer "miga, é 18 soles ou nada" e você decidir se compra ou não.
Melhor ainda são em grandes compras, que dá pra queixar desconto adoidado nos itens separadamente e depois queixar mais desconto no preço final. 
Mas tem que ter paciência e cara de pau mesmo, coisa que minha mãe desenvolveu com facilidade (para o nosso bem).

Mais uma coisa que merece ser comentada aqui é: a comida.
Cara, pra alguém que come igual um passarinho, foi uma experiencia meio louca, sabe?
Não importa onde você vá ou que prato você peça, SEMPRE VAI SER COMIDA DE MAIS!
Os caras gostam de arrochar no prato mesmo.
Você chega lá com uma fome normal, pede um lomo saltado, sei lá, e TOME LOMO E ARROZ E SIDUHCIDOUSHCISOHUISHSIU comida pra sempre.
Um prato é equivalente ao meu prato + o prato da minha mãe tamanha a quantidade de comida que vem.
Fora o negócio do primeiro e segundo prato.
Não, você não tem só que pensar desesperado onde é que vai enfiar tanta comida quando vê o segundo prato, você tem que se preocupar antes com a sopa (ou outras coisas, dependendo do lugar) que você tem que tomar primeiro.
Você tem quase que fazer um tetris estomacal pra comer tudo, onde cada colherada deve se acomodar nos cantinhos mais apertados do seu estômago pra que consiga comer tudo. Ou quase tudo.
Mas a comida é boa, muito boa.

O último item, algo que eu não poderia deixar de falar: as pessoas.
Sabe, corre aí o boato de que o brasileiro é super receptivo... Ou algum adjetivo parecido com esse, mas quem disse isso, olha, não foi ao Peru. 
Considerando todos os atendentes de restaurante, lanchonete, lojas aleatórias que foram simpáticos, eu já posso dizer que quero viver lá pra sempre.
É todo mundo educado que até o garotinho que pede dinheiro na rua te chama de "senhora"
É impossível não arregalar os olhos vez ou outra quando se escuta a primeira pessoa a deixar a mesa dizendo algo como "provecho" ou "gracias", ou quando você ouve todo mundo pedindo licença e desculpas. Não que nós sejamos mal educados (ou, talvez seja isso mesmo), mas é que eles são tão educados que assusta. 
Eu sei que isso é péssimo, quem se assustaria com isso?
Pois é, eu, brasileira, manauara.
Sabe a melhor parte?
É quando esse pessoal simpático, gentil e educados são a sua família.
Antes de viajar, a gente escutou os comentários de como seria O EVENTO DO ANO nós irmos pra lá, porque, sabe, faziam décadas que a família não via meu pai (a história é longa, mas ele veio pro Brasil com uns 17 anos e agora ele já tem uns 50)
Eu não sabia o que esperar com isso, não sabia mesmo, pela minha natureza introspectiva, eu já estava com medo de conhecer tanta gente, porque eu não sei conversar, eu falo baixo, eu olho pro chão, o que eles iriam pensar?
Conhecemos um primo, dois primos, três primos... Até uma reunião de domingo, sabe? Daquelas em que a família toda se encontra na casa de alguém pra almoçar e botar a conversa em dia.
Nunca vi TANTO parente junto de uma só vez, UAHEUHAU, é sério! 
É uma família gigante! ♥
E conhecendo um por um, parando pra conversar com tias e primos que eu esqueci o quão medrosa eu estava e aí eu soube que não dava pra negar, nós somos família mesmo.
É uma sensação diferente ver tanta gente, que nunca nem ouviu a tua voz, chegando perto de ti e te abraçando com tanta vontade, quase como que com saudade de alguma coisa que vocês não viveram.
Sabe a saudade de algo que você nunca teve?
Pois é, tipo isso.
Os brasileiros perdem pro calorzinho humano e os olhinhos brilhando que os peruanos te oferecem.
A melhor parte era ver como eles são animados, que a reunião acontece para que eles se juntem, se vejam, conversem, e que se rola umas cervejas, bom, isso é só um bônus, quando que aqui, o objetivo das reuniões é beber apenas. 
Difícil, né?
Ah, vale lembrar que eles dançam.
TODOS dançam, sempre dançam.
Nunca vi um negócio desses, UAHUEHAU, 
mas é porque aqui, né, só se dança quando se está em festa ou muito bêbado.
É interessante observar as diferenças e ver como você consegue se sentir em casa em, sei lá, 2 minutos. Ver como tá todo mundo feliz e rindo, despreocupados, até caírem os olhos em ti e perguntarem como você está, se precisa de alguma coisa, eles te fazem sentir tão importante que as vezes você não sabe nem como agir, você só pode ser grato eternamente.



Se o Peru já era um lugar importante pra gente antes desses dias, hoje eu posso dizer que ele é essencial.

E eu vou voltar SEMPRE ò.ó
E se tiver CsF pra lá, eu vou.
Se não tiver, vou pra Argentina, UAHEUAHEUHA :3

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OIE
E AÍ
COMO VAI?
Esse não foi lá um grande post, mas é isso aí que tem sobre a viagem.
Eu não poderia estar mais satisfeita com essa viagem, foi tudo lindo, maravilhoso, cheio de pessoas maravilhosas ♥ tanto que eu já nem queria voltar pra casa! UAHEUAHEUA

Mas enfim, em breve eu volto (semana que vem abre o sisu e É ESSE ANO, GALEROOOOOOOO!).

E é isso aí.

Vlw.
Flw.

Ps: dia 15/01 é aniversário do meu vovô ♥ pai do papai, seu Cholo, AUEHAUHE.
TEJE PARABENIZADO E CHEIO DE ANOS DE VIDA!

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Sobre raiva e crises existenciais

Primeiramente devo dizer que o post anterior é do mês de março (sim, fico muito tempo sem escrever).
Segundamente (não quero saber se "segundamente" está errado), isso aqui não é um livro de autoajuda, eu não quero conselho, não quero ver "ai, poxa, fica assim não, tudo vai melhorar", não quero otimismo, e só aceito opiniões positivas se forem "ri muito com teu texto", "gostei do texto/layout da página/do dia de hoje/da nova música da Calypso".
Terceiramente, tudo o que eu escrevo vem da minha cabeça, então, se você não concorda, o problema é seu. 
Atenciosamente,
Eu.

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O quão raivosa é sua raiva?

Faz algum tempo que andei percebendo que o tanto de raiva que eu sinto não é muito comum, não que isso me faça sentir especial, isso me deixa cansada de mais. As vezes eu me sinto como um cão com raiva (a doença, claro), e que vou atacar a primeira pessoa que aparecer na minha frente enquanto minha boca borbulha e deixa todo mundo com mais nojo do que medo. É aquele tipo de coisa dramaticamente conhecida como "incontrolável" e acompanha a frase "você precisa de ajuda".

1. O que te deixa com raiva?
a) Perder o ônibus, perder dinheiro, perder o horário.
b) Ser enganado, traído, humilhado, e outras coisas que poderiam fazer contra você.
c) O corretor ortográfico do celular, deixar o último sushi de camarão cair no chão, pisar em caquinha de cachorro no meio da rua.
d) Qualquer coisa.

2. Qual seu tipo de raiva?
a) É aquela que te deixa chateado por um tempo, mas você esquece logo.
b) É aquela que te deixa emburrado o resto do dia e te faz chamar alguns palavrões esporadicamente.
c) É aquela que te faz querer ou, de fato, quebrar alguns móveis da sua casa, gritar e descontar em alguém (de propósito, ou não).
d) É aquela que te faria socar alguém até não conseguir mais, e depois quebrar tudo, e descontar em outro alguém, e chamar palavrões, e ficar emburrado e não esquecer tão cedo.

3. Última pergunta: qual sua relação com a raiva?
a) Eu apenas sinto quando acontecem coisas sérias, e detesto me sentir assim.
b) Sinto raiva por besteira, não queria que isso acontecesse, mas, as vezes, é inevitável.
c) Sinto raiva muito facilmente, fazer o quê?
d) Eu sou a raiva.

Resultado:
Se você respondeu algum A, B ou C, não sei. Mas se você respondeu D para todas as perguntas, bom, sinta-se em casa.

O que a maioria das pessoas não entende é que eu não sei como ou o motivo de eu me irritar tanto. Tá, tá certo que nesses últimos meses eu devo ter melhorado (ao menos um pouco), devo ter engolido algumas irritações, mas o que ninguém leva em consideração é que, mesmo que eu deixe essa raivinha pra lá, eu não vou esquecer, e da próxima vez que eu me irritar, uma raiva vai se juntar com a outra e eu vou virar o monstro do ódio no coração ò.ó
É dificil... Difícil quando nem você entende de onde veio toda essa energia maligna do mal (AUEHAUEHAUE) que a raiva te proporciona, que é capaz de te deixar com vontade de demolir um prédio com as próprias mãos, ou demolir uma pessoa mesmo. Ela parece ser tanta, parece que esteve sempre aqui, mas agora ela quer sair desesperadamente, e não vai deixar passar nenhuma oportunidade de se libertar (peço desculpas pela última frase, soou poética de mais e não era a minha intenção, porém estou com preguiça de reescrever). Eu não sei lidar, e, confesso que, por mais que eu diga que não quero aprender (afinal, quem sou eu sem minha raiva? Quem é Érica Camila Campelo Chistama sem dar uns ataques de ódio de vez em quando?), eu bem que queria saber como é ser bobona, otimista e essas coisas de comédia romântica.... 
Que droga, já quero socar alguém. De novo. 


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Não quero saber desses tal 20 e poucos anos


Em algum momento da vida, achei que essa tal de "crise dos 20" era besteira, exagero, mas olha quem estava errada, assim só pra variar...  
Quer dizer, "meu Deus, você só vai sair dos 19 sem chegar aos 21 ainda, que mal há nisso?" eu pensava. Coitada. Iludida. Mas a vida ensina, né? 
Fazer 20 anos não é como fazer qualquer outro aniversário, não, cara, você tem 20 anos. 2 décadas. Você não é mais criança. Seus pais, avós, tataravós estavam trabalhando hard nessa idade. Tinham coisas, sabe, COISAS DE ADULTO, emprego, talvez filhos, casa e etc., enquanto você tem um video game, umas roupas de marca, umas saídas fúteis, amigos fúteis, emprego fútil. Você faz uma faculdade pública porque, em vez de trabalhar quando adolescente, você estava estudando. Você faz uma faculdade particular porque, bom, você tinha que fazê-la.
Você está um passo mais próximo de morrer. 
Você está um passo mais próximo de ter sucesso, ou de fracassar. 
Daqui 10 anos você já terá 30 e, ai meu Deus, com 30 você tem que ter casa, comida, lavadora de roupas e família. 
Ou pelo menos um kitnet (é assim que escreve?), um filho com alguém que não é seu marido/esposa, um trabalho que te sustente. 
Ou só um trabalho. 
Ou nada disso. 
E aí, você fracassou? 
Como lidar com isso quando se faz 20 anos, sem emprego, sem faculdade, sem filhos, sem casa própria, sem carro, sem, principalmente, vontade de viver, mas com muita, mas muita vontade de não morrer? 
Me sinto uma música do Nickelback, sabe? So far away dessas coisas. 
Eu estou completando 20 anos, com um cérebro que mais parece um carnaval de tão desorganizado, uma carinha de 15 e umas chatices de velhinha rabugenta. Acho que vou fracassar, mas só pelo pessimismo que me toma conta. Ou vou ter sucesso, mas só pela esperança burra que não me larga nunca. 

No fim, sou eu que não sei lidar com o tempo. 

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Não lembro como finalizei o último texto, mas queria repetir que: sem otimismo aqui, tá?
E se você é uma pessoa de 20 anos, com tudo o que tem direito (casa, comida, e bla bla bla), queria dizer que: zzzzz ninguém perguntou zzzzzz

E tchau. 

2

Pequenas situações, grandes frustrações

Só uma observação para o começo, é, o post anterior (e único) foi feito há quase 2 anos atrás. Eu não ia imaginar como a vida iria descer um barranco nesses últimos anos.

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Perdida no tempo

Quem diria, ein? Hoje, dia 17 de março de 2014, eu estou em casa, com o cabelo sujo, ainda com minha roupa de dormir, pensando que daqui meia hora vou ter que me arrumar para ir pra faculdade...
Ah, falando em faculdade, olha como as coisas são: saí dela.

Pra começo de conversa, as coisas mudaram bastante desde 2012. O final do ano eu já nem lembro mais. 2013 foi uma droga. Sério, foi realmente uma droga. Começou comigo brigando de hora em hora com meu namorado e terminou com minha querida vovó partindo. Maldito câncer maldito. Desde aí, não consigo distinguir quando certas coisas aconteceram, se foram esse ano ou no anterior, apesar de que isso não importa muito. 
Acabei percebendo de uma vez por todas que eu era a pessoa mais infeliz da face da terra por conta da minha faculdade. Não posso dar muitos detalhes se não vou acabar me tornando aquele tipo de gente que puxa briga no facebook pra todo mundo ver, sabe? Aliás, isso aconteceu de um tempo pra cá e não foi nada legal. Mas eu gostaria de dizer que, nessa situação toda, me irrita ouvir todo mundo falando que "se você quisesse ter feito curso x mesmo, teria se matriculado nele sem se importar com o que os outros pensam". A resposta pra essa questão, como eu disse antes, não posso dizer, além de VOCÊS ACHAM MESMO QUE É FÁCIL ASSIM, NÉ?

Tenho 19 anos e passei 2 anos da vida numa faculdade que não me trouxe nada de bom, mas sobre isso, eu falo mais pra lá. Há quem diga "mas é federal, tu passou na UFAM!", sim, cara, eu sei, e me orgulho disso, mas mesmo assim, adianta passar pro curso errado? Não. Há quem diga que eu sou jovem, que eu tenho muito tempo, mas eu não tenho não, cara. Tem gente que, com a minha idade, já está quase se formando.  Argh, se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente, 100%, mas já que eu não posso, lá vou eu tentar dar um jeito pra recuperar o tempo que eu perdi, que eu sei que não vou recuperar porque esse papo é ilógico, mas ta.

Esses últimos dias estou em casa, esperando o tempo passar, totalmente perdida, lendo, jogando, brigando e todas essas coisas improdutivas. Semana passada descobri que fui chamada na segunda lista de espera do ENEM pra Design. Fazia tanto tempo que eu não me sentia tão feliz quanto eu fiquei nesse dia, mas durou? Claro que não, logo descobri que era a 4ª pessoa da lista para apenas 1 vaga. Tô botando fé que vou conseguir, porque é assim que o otimismo funciona, e nem vou dizer "mas..." porque isso seria pessimismo.

"Por que raios você não arranja um emprego?" as pessoas me perguntam, e eu respondo EU NÃO SEI COMO FAZER ISSO! Sério, olha pra mim, eu tenho espanhol e inglês e aquelas "noções de informática" que toda pessoa de 19 anos tem, não sou nenhuma raridade ou tenho algo que seja realmente surpreendente e digno de ser chamada. Não, não é pessimismo, é realidade, porque agora eu sou otimista, lembra? Então. Eu preciso de dinheiro, mas sinceramente, não sei se estou disposta a trabalhar, fazendo sei lá diabos o quê, pra conseguir uns tostões no fim do mês. Tá, tá, eu sei que isso é comodismo e tudo mais, mas pelo menos no trabalho eu gostaria de fazer algo bacana e que não fizesse com que eu me sentisse afundando em um buraco de chatices. Sim, eu sei, "como ela é ingênua, não sabe nada do mundo", pois é, cara, já estou naquela fase em que você não sonha mais, primeiro porque isso começa a se tornar chato, segundo porque... PRA QUÊ????????(E NÃO ME VENHA COM PAPO DE LIVRO DE AUTO AJUDA DIZENDO QUE EU NÃO POSSO PARAR DE SONHAR! Aqui não é nenhum texto com os diálogos da novela Em Família não, cara.)

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Questões maiores

Com o passar desses poucos anos aí, comecei a perceber que ser eu, pensar como eu, agir e falar como eu foi a pior escolha que eu já fiz na minha vida. "Você não deveria pensar assim, você tem que ser você mesma e...", meu amigo, de novo, isso aqui não é livro de auto ajuda

Uma questão que sempre aparece é o fato da minha religiosidade, que deveria ser MINHA, mas, aparentemente, é de todo mundo. Tem quem queira que eu seja ATEIA ACIMA DE TUDO, tem quem queira que eu viva socada na igreja. Eu só queria conhecer uns pagãos e saber mais sobre essas coisas porque EU ACHO interessante, mas se um dia isso acontecer, a probabilidade de TODAS AS PESSOAS AO MEU REDOR (parentes inclusos) me deserdarem é grande. "Nossa, que drama, agora é culpa dos outros, blá blá blá...", não é culpa de ninguém, além de minha, e é mais culpa minha ainda o fato de que eu não quero sentir que estou decepcionando ninguém. Há quem não saiba, mas librianos gostam de agradar os outros acima de si mesmo, e eu tenho essa característica, e sim, ela é forte (e ela se encaixa na situação da faculdade que eu falei ali em cima). "Mas a vida é essa, você sempre estará decepcionando alguém", é eu sei, mas se eu puder não fazer isso, eu vou seguir essa direção, mesmo que no final eu acabe vendo que não era pra eu ter feito isso e me arrependa, tipo agora.

Outra questão que vem me enchendo a paciência é o fato de que, pelo que o MUNDO INTEIRO INDICA, eu sou o tipo de pessoa """careta""" (gíria dos anos 1000) pelo fato de que eu não bebo, eu não fumo, eu não gosto de sair de casa e essas coisas, não esquecendo o fato de que eu não fico com meus amigos (por mais que isso seja "a coisa mais normal do mundo"). Sobre esse último, ontem me disseram que eu era uma pessoa com "princípios" porque eu separo os amigos de pessoas que eu poderia ficar um dia, porque eu não me aproximo de ninguém com o objetivo principal de ficar com aquela pessoa e porque, a não ser que eu realmente goste dessa pessoa e queria ter um envolvimento amoro de verdade, eu não ficaria com amigo nenhum. "Ah, mas teu namorado era teu amigo quando vocês começaram a ficar...", é, ótima questão, principalmente considerando o fato que a gente se conhecia há UM ÚNICO MÊS quando a gente ficou e que, até hoje, eu não sei dizer o motivo de a gente ter ficado. Sério. Ele não botou pra cima de mim, e eu, muito menos, botei pra cima dele, a gente se beijo por... SEI LÁ O MOTIVO e estamos namorando agora. E fim. Talvez se nós fossemos amigos mesmo, nada disso teria acontecido. 

O fato é que, apesar de eu não gostar de certas coisas, eu gosto de gente, eu gosto de conversar, de rir e fazer bagunça, eu gosto disso. Eu não gosto de festa, mas eu gosto de sair, gosto de saber que vou encontrar alguém e que, independente da pessoa beber, fumar, fazer o quadradinho, nós vamos nos divertir e chegar em casa e pensar "nossa, esse dia foi massa". Mas acabei virando ovelha negra, porque eu não faço isso, não faço aquilo, porque eu não danço, eu não canto, eu sou muito na minha. Que droga, caras, mas que droga. Saudades do tempo em que os grupos se faziam de pessoas diferentes umas das outras, saudades de quando ninguém ligava pro que eu acreditava ou desacreditava, saudades do tempo que o fato de eu não beber era uma coisa sem importância. Saudades mesmo. Saudades ainda mais quando eu saia mesmo, de ir passar a tarde na casa de Fulana ou Cicrana, de ir ao cinema, de marcar uma zueira e essas coisas. Eu adoro ficar em casa, mas sair e se distrair é tão melhor. Saudades ensino médio, crescer é uma bosta.

E eu não vou nem falar de outro assunto aí que só diz respeito aos meus sentimentos mais fortes e profundos porque depois sou eu que fico mandando indireta.

Sério, é tão difícil, tão insuportável assim conviver comigo?

Saibam que eu já calei a boca de mais, ninguém faz ideia do que me passa na cabeça, das coisas que quero dizer e fazer. Pergunta se agora eu vou botar isso tudo pra fora? Não, vou não, porque depois eu sou rebelde, ignorante e "deve ser por causa disso ou daquilo que tu ficou desse jeito, tu não era assim". Olha, na verdade, eu sempre fui assim, só que eu percebi que era melhor ficar na minha, fingir que não me importava com isso ou aquilo, fingir que eu tenho uma opinião neutra e que abaixo a cabeça pra todo mundo, fingir que eu não quero socar todo mundo na cara se eu tivesse a oportunidade. É melhor, mais fácil, mais confortável pra todo mundo. "Mas pra ti não", cara, whatever. E não me venham com "ah, drama" ou "ah, mas também não é assim", não, não, eu fiz o teste de falar e fazer as coisas que eu realmente quero, mas não deu certo. Eu fiquei chata de uma hora pra outra, ignorante de uma outra pra outra, malcriada de uma hora pra outra. Tá, gente, tá bom, vou ali voltar a ser o que eu era antes, feliz 24 horas por dia, vai ficar tudo bem pra todo mundo. Ao menos até eu ter dinheiro o suficiente pra, um belo dia, sumir e começar a vida do outro lado do mundo com ninguém atrás de mim. Vai ser legal, vocês vão ver.

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Observação de fim de texto: não é só porque eu estou de TPM que eu vou me arrepender do que eu escrevi aqui. E quando eu quero chorar, eu só quero chorar, pelo amor de Deus, alguém me entende, por favor. 
Obrigada.

Ps: EU NÃO MANDO INDIRETA. Se você se sentiu ofendido ou sei lá o quê com algo que eu disse, é problema seu. HUEHUEHUEBR